Correio Braziliense: Diretor Superintendente da Fundação FISK e ex-aluna da FISK Asa Sul dão entrevista

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Com o avanço da globalização, falar e escrever em inglês se torna cada vez mais fundamental para conquistar um espaço no mercado de trabalho. Confira dicas e garanta bom desempenho em entrevistas no idioma

O economista Alexandre está sempre estudando o idioma: conhecimento útil em processos seletivos e no dia a dia do trabalho

Consolidado internacionalmente como a linguagem dos negócios, o inglês tornou-se pré-requisito para empresas, que passam a realizar entrevistas de emprego no idioma com cada vez mais frequência. O conhecimento extra é bem-visto no mundo corporativo e permite que profissionais lidem com marcas globais, trabalhem com produtos importados, se comuniquem com executivos, clientes e fornecedores de diversas nacionalidades, ofereçam produtos e serviços no exterior, obtenham acesso a inovações e uma série de outros benefícios.

Os bons conhecimentos na língua ajudaram o economista Alexandre Campos, 46 anos, a realizar um MBA no exterior e a conquistar oportunidades de trabalho no Reino Unido. “A experiência é única. O mundo se abre para você. Tive contato com pessoas de culturas completamente diferentes”, afirma. Carioca que mora em Brasília, ele estudou por dois anos na Manchester Business School (MBS) e passou outros cinco trabalhando no mercado financeiro de Londres. Durante a temporada no exterior, Alexandre enfrentou diversos tipos de entrevistas na língua britânica, tanto em seleções ligadas aos estudos quanto na busca por emprego e na atuação profissional.

“Tive conversas presenciais, por telefone e on-line. A telefônica é a mais complicada, porque você não vê o entrevistador, não sabe se está agradando e fica impossibilitado de fazer leitura labial ou corporal para ajudar a entender o que é dito”, recorda. Para o economista, a capacidade de expressão é a mais importante para um candidato nesse tipo de seleção. “A conversação precisa ser o foco de quem se prepara para participar de um processo como esse, pois a gramática costuma ser mais ensinada nas escolas e nos cursos brasileiros.”

De volta ao Brasil, Alexandre segue utilizando a língua estrangeira com regularidade ao atuar na formulação de políticas econômicas do setor público. “Meu trabalho utiliza muito o inglês. Na semana passada, por exemplo, fui aos Estados Unidos para uma reunião; há conferências, documentos e novidades que chegam no idioma. É preciso construir uma aquisiçãode conhecimentos contínua”, conclui.
Para participar de um programa de voluntariado na África do Sul, Camila passou por processo seletivo em inglês

“Cada vez mais multinacionais e empresas de grande e médio porte colocam o inglês como pré-requisito para cargos superiores e vagas introdutórias com grandes chances de ascenção”, avalia a analista de RH Monica Barcelos. O objetivo é formar um quadro com profissionais capacitados e identificados com a cultura organizacional das companhias. “As organizações consideram que o funcionário só se estagna se quiser hoje em dia. O objetivo é que ele aproveite as chances oferecidas e desenvolva valores intangíveis que geram crescimento junto da empresa”, considera.

Aprendizado constante

Na hora da entrevista, ainda que o nível do candidato não seja avançado, o diretor superintendente da Fundação Fisk, Élvio Peralta, ressalta que mostrar o desejo de evoluir é importante. “Para quem ainda não é fluente, pega bem demonstrar que está batalhando para avançar”, aponta. Ele avalia que a globalização tem tudo a ver com a valorização dos conhecimentos em inglês. “Nosso país se abriu para o mercado internacional nas últimas décadas, e oportunidades surgiram para quem domina o idioma.”

Num momento de agravamento da crise econômica, a qualificação serve tanto para ascender na carreira quanto para manter o emprego. “As empresas precisam de colaboradores capazes de ouvir, ler, escrever e falar em inglês, interpretando adequadamente as situações para estabelecer contatos e vínculos comerciais.” Áreas como comércio exterior, engenharia, informática, comunicação e ciências da saúde são algumas das que demandam profissionais multilíngues.

As vantagens de expandir os conhecimentos no idioma não param por aí. “A ligação do universo cultural com o inglês é muito motivadora. Poder se comunicar, se entreter, entrar em contato com gente do exterior e viajar sem dificuldades são experiências que pessoas com nível a partir do intermediário desfrutam muito melhor”, afirma.

Realização pessoal

A universitária Camila Ferrer, 19 anos, cursa o 5º semestre de serviço social na Universidade de Brasília (UnB) e confirma que o conhecimento traz benefícios que vão além das corporações. Ela se formou num curso de inglês em 2012, e não faltaram momentos em que o domínio do idioma foi importante em sua vida desde então. “Fui para os Estados Unidos com minha família e só eu falava a língua, mas isso já nos ajudou muito. No início do ano passado, pude fazer um programa de voluntariado na África do Sul.”

Para ser voluntária, ela precisou encarar desafios que incluíram passar por entrevistas em inglês por meio de conferência on-line, viajar para o país e fazer um teste de proficiência na chegada. “Eu me senti bem preparada para a entrevista, então não tive tanta dificuldades. Na ocasião, falamos sobre assuntos do cotidiano e temas relacionados a atividades assistenciais e de formação infantil. Fiquei no nível mais alto na entrevista de nivelamento, o que me permitiu trabalhar sem problemas com as crianças de comunidades carentes: dava aulas, as alimentava e fazia atividades recreativas”, recorda.

Os reflexos da fluência na língua estrangeira aparecem no dia a dia. “Escuto músicas, assisto a filmes e programas em inglês e consigo traduzir tudo na hora, assim como leio textos comuns e acadêmicos”, explica. A estudante tem muita vontade de viajar e conhecer outras culturas, tanto que o próximo projeto é participar de um programa de au pair.

O coaching de carreira Mauricio Sampaio assegura que experiências  como as de Camila por meio do inglês são um diferencial relevante. “Quem tem visão de diferentes culturas, entende a filosofia de vida e a forma como outros povos se comunicam é valorizado. O mundo globalizado exige profissionais que possam estabelecer conexões e fontes de informações privilegiadas em qualquer lugar do planeta”, observa. A estudante Camila Ferrer sabe disso e pretende aproveitar a oportunidade de unir o útil ao agrdável. “Quero fazer cursos fora, morar em vários países e manter o inglês afiado. A maior vantagem disso tudo é que o mundo fica pequeno para quem sabe outro idioma.”

Hora da verdade

Confira dicas para se sair bem em entrevistas em inglês, fase que se torna cada vez mais comum em processos seletivos:

Pesquise sobre a empresa e a área de atuação dela
Procurar saber o vocabulário e termos em inglês recorrentes no contexto da companhia é importante para se expressar adequadamente na entrevista.

Treine a pronúncia 
Prepara-se para responder a perguntas como “What are your strengths and weaknesses?” (Quais são seus pontos fracos e fortes?) e “Why do you want this job?” (Por que você quer esse trabalho?). O acompanhamento auxilia na correção de pronúncia incorreta, além de prevenir vícios de linguagem e diminuir a ansiedade.

Evite gírias e pausas excessivas
Certas expressões comuns na linguagem informal, como “what’s up” (e aí?), “kind of” (mais ou menos), dude (cara) e cop (policial) são inapropriadas para esse contexto. Conhecimentos limitados na língua geralmente fazem o candidato realizar pausas prolongadas ou gaguejar, problemas combatidos com o treino da conversação.

Questione 
O candidato precisa ir além das perguntas do entrevistador e interagir e tirar dúvidas. “Could you tell me a little more about the history from the company?” (Você poderia me contar um pouco mais sobre a história da empresa?) é um exemplo de pergunta a ser feita.

Fuja de traduções literais

Traduzir ao pé da letra pode resultar em frases sem sentido. Caso não conheça uma expressão equivalente, melhor não usá-la e explicar o que se deseja dizer.

Exemplos:

  • “Bite the bullet” significa “ir direto ao ponto”, mas literalmente equivaleria a “morder a bala”
  • Alguém ousado no Brasil é chamado de “cara de pau”, mas está longe de ser intitulado “woodface” em inglês: o termo mais indicado é “shameless”.


Busque aperfeiçoamento

Recrutadores apreciam a sinceridade do candidato e a apresentação de objetivos que visam o aperfeiçoamento profissional. Portanto, mesmo que você não tenha conhecimentos avançados no idioma, explique que você tem planos de se aperfeiçoar no inglês. Comentar sobre cursos e treinamentos que pretende realizar com esse objetivo pode contar pontos importantes.

Faça um teste de nivelamento 
Além de ajudar a treinar conhecimentos e indicar onde a atenção precisa ser focada nos estudos do idioma, a avaliação pode ajudar o candidato a se portar de acordo com o nível de proficiência colocado no currículo, sem forçar a expressão de conhecimentos que não possui ou mostrar desenvoltura abaixo da esperada na entrevista.

Não minta 
Seja sincero ao declarar seu nível de proficiência. Se o teste mostrar que o conhecimento do candidato não corresponde ao declarado no currículo, futuras oportunidades podem ficar comprometidas.

O entrevistador indica a fluência
Caso o candidato não seja questionado sobre seu nível de fluência durante a conversa, deve deixar o recrutador à vontade para apontar o nível de avanço do postulante. Assim, a chance de
que o entrevistado superdiminensione o próprio conhecimento é menor. Descrever experiências com o inglês, vivência fora do país (caso exista) e outras situações que mostrem a utilização prática da língua na rotina são boas opções para possibilitar
uma avaliação precisa.

Fonte: professor Elvio Peralta, diretor superintendente da Fundação Fisk.

Publicado no Jornal Correio Braziliense em 06 de abril de 2015.

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